Em novembro, o Dia da Consciência Negra é celebrado com festa e reflexão

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Música, dança, capoeira e até feijoada. Nas Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e Faculdades de Tecnologia do Estado (Fatecs), as muitas manifestações da cultura de origem africana marcam o Dia da Consciência Negra, instituído em 2003 e comemorado a cada 20 de novembro.

Mas os eventos também incluem palestras e rodas de conversa com o fim de discutir as pautas ligadas à mal arrematada abolição da escravatura, que deixou toda um contingente da população à margem da sociedade.

Na programação, batalhas de ideias são tão bem-vindas quanto as batalhas de rimas que acontecem na Fatec de Monte Mor. Elas serão mediadas pelo rapper João Paulo Rodrigues Machado dentro de uma celebração que incluiu ainda uma explanação sobre a história do Hip Hop.
Raízes do Brasil

Na Etec João Maria Stevanatto, em Itapira, as raízes do folclore brasileiro nascido na cultura afro surgem em forma de música – da capoeira, uma luta permeada pelo som do berimbau, à Congada, festa folclórica de origem africana que encena a coroação do Rei Congo. O grupo Congada Mineira de Itapira, que já se apresentou em vários festivais, é convidado do evento.

Mas o dia também é lembrado de forma mais acadêmica, em um série de rodas de conversa, palestras, depoimentos e a produção de seminários que versam sobre diversos aspectos da cultura negra. Esse é o foco do evento que tem lugar na Etec Profª Dra. Doroti Quiomi Kanashiro Toyohara, de Pirituba, com abordagens que vão desde os movimentos de resistência até a estética negra, a exemplo da maquiagem e dos produtos específicos para o cabelo afro.

Dia 20 de novembro é o ano todo

Há quem prefira diluir as discussões sobre a questão negra ao longo do ano. Na Etec São Paulo, os alunos acreditam que a pauta da consciência negra deve ser nossa obrigação de todos os dias. Formado por alunos e ex-alunos da unidade, o coletivo Nkongo Nkosi reúne-se a cada quinze ou trinta dias, “sempre que surge uma questão a ser discutida”, explica Rafael Nobre Orsi, diretor da escola. Um dos próximos eventos a ser promovido na escola, por exemplo, ainda não tem data marcada, mas o tema está definido: uma palestra sobre educação não racista, iniciativa do Coletivo a partir do Pequeno Manual Antirracista, livro da filósofa Djamila Ribeiro.

A ideia é trazer frases e termos que foram incorporados ao nosso vocabulário embora carreguem uma carga ofensiva que acabou naturalizada pelo uso cotidiano e acrítico da sociedade. Orsi dá uma medida do sucesso do grupo: “Eles já reuniram 600 estudantes em uma conversa no nosso auditório.”

Pensando o tema da diversidade como uma aprendizagem necessária para todos os seus funcionários, o Centro Paula Souza (CPS), por meio da Comissão de Gestão Participativa, criou o 1º Fórum de Educação para as Relações Étnico-raciais, que acontece no dia 22 de novembro, das 10 às 12 horas. O encontro entre os palestrantes Júlio César Silva Santos e Alexsandro Santos será mediado pela diretora da Etec Itaquera II, Tarsila Roquete Fernandes de Oliveira Santiago, que propôs o encontro. “Não podemos falar sobre o assunto apenas em novembro”, diz a professora. “É preciso um letramento para essas questões no dia-a-dia.” As inscrições podem ser feitas neste link: bit.ly/3DX5nJh. A transmissão, aberta a todos, será pelo canal da Gestão Participativa no Youtube: https://youtu.be/RcolktQjs0Q.

Descoberta recente

A morte de Zumbi dos Palmares sempre reconhecida como um marco histórico, mas a data exata em que ela aconteceu só veio à tona nos anos 1970. A partir daí, movimentos sociais e antirracistas ganharam musculatura, especialmente depois da redemocratização do país.

Em 2003, foi criado o Dia Nacional da Consciência Negra, incluído no calendário escolar e instituído como feriado nacional em várias cidades do país. Neste ano, a maioria dos eventos não será aberta ao público externo. Confira a programação clicando aqui.

Ricardo Macario

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